sábado, 7 de março de 2009
Uma cruzada pelo ateísmo?
A Edição 443 - 13/11/2006 - da revista Época trouxe uma reportagem (A Igreja dos novos ateus) sobre um grupo de cientistas ateus que partiram para uma “cruzada contra a fé” no mundo, entre eles o filósofo americano Daniel Dennett, que se diz um ateu convicto. É um dos mais eminentes líderes do Novo Ateísmo, uma espécie de religião dos não-crentes, que prega o fim da influência de Deus na vida moderna. Dezenas de livros são lançados por cientistas influentes que se dizem ateus, três deles estão causando mais impacto. De acordo com a Associação Americana dos Livreiros, em 2005 as obras que se enquadram na categoria “céticos e ateus” registraram o maior crescimento da História e o segundo maior entre os gêneros catalogados. O primeiro é do zoólogo britânico Richard Dawkins, um dos mais conhecidos pesquisadores do evolucionismo; ele publicou em setembro o livro “The God Delusion” (A Ilusão de Deus). Outro livro é do neurocientista americano Sam Harris, “Letter to a Christian Nation” (Carta a uma Nação Cristã), uma espécie de desafio à fé cristã, amparado em uma crítica racional da religião. Outro é de Dennett, “Breaking the Spell”.A “Sociedade dos Céticos” edita uma revista mensal com a quinta maior tiragem entre as publicações especializadas do país. Na televisão, a dupla de mágicos Penn Jillette e Raymond Joseph Teller desmascara truques místicos e agora prega o ateísmo no programa Bullshit, no canal Fox News (exibido no Brasil pelo canal pago FX). Esta “cruzada” em favor do ateísmo, diz a reportagem, “é fruto da preocupação de parte da comunidade científica, em vista do avanço político de forças religiosas sobre o mundo laico na última década.” Vamos analisar as colocações desses cientistas ateus. Em primeiro lugar, acusam a religião de ser perversa e de fazer mal à humanidade. Os novos ateus condenam não apenas a crença em Deus, mas também o respeito pela crença em Deus. Ora, pode ser que algumas religiões sejam perversas, como por exemplo, a dos astecas no México que sacrificavam vidas humanas jovens aos deuses, e outras que pregam a violência como meio de sua expansão, ou outras que enalteçam o suicídio e o ódio; essas sim fazem mal ao mundo; mas não se pode generalizar. A Igreja Católica moldou paciente e fervorosamente a civilização ocidental moderna; em nome de Deus. Foi a única Instituição que ficou de pé depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476, e soube fazer um paciente trabalho de educação dos bárbaros durante seis longos séculos. Em nome de Deus e da religião, a Igreja salvou o Ocidente da destruição bárbara. Basta ler o livro do historiador francês, Daniel Rops, prêmio da Academia Francesa de Letras, “A Igreja dos tempos bárbaros” (Ed. Quadrante, SP, 1991, 644 pgs.) para se conscientizar de que sem o trabalho da Igreja a nossa atual civilização não existiria como é. Foi a Igreja católica que, em nome de Cristo, colocou as bases da ciência, do Direito , da arquitetura, da música, da Arte, da economia, das letras, da astronomia, etc. Diz Daniel Rops que “O Ocidente não teria sido o que foi sem a fecunda obra das instituições monásticas” (DR, pg. 275). Sabemos que os monges copistas salvaram do desaparecimento as obras clássicas da literatura grega e romana. S. Bento de Nurcia com as centenas de mosteiros beneditinos, no século V, salvou a cultura do Ocidente, sem falar na gigantesca obra de caridade. Não havia escola, hospitais, asilos, hospícios, etc. que não fossem da Igreja. Ao lado de cada mosteiro surgia um povoado que depois se transformava em cidade. Camille Jullian escreveu que: “foi o episcopado que prestou à sociedade humana os serviços mais brilhantes” (DR, pg. 273); sem dúvida ele se referia a um S. Leão Magno que parou Ática, e depois Genserico, às portas de Roma para não a destruir, ou de S. Gregório Magno que soube cristianizar e educar os bárbaros em toda a Europa. Joseph Maistre afirmou que: “Os bispos construíram a França como as abelhas constroem a colméia” (idem, pg. 274). Enfim, diz Daniel Rops: “A Igreja, guiada por uma inspiração transcendente,… se constituiu no mais eficaz agente de salvaguarda da civilização” (Idem, 253). “A Igreja pode tornar-se a única força civilizadora da época, a única possibilidade que a luz teve de vencer as trevas da noite” (pg. 257) Este espaço é pequeno para podermos colocar toda a extensão da obra da Igreja. Nunca houve no mundo, em todos os tempos, uma Instituição que se dedicasse tanto a fazer caridade e o bem, especialmente aos velhos, doentes, viúvas, indigentes, órfãos e desamparados. Tudo em nome de Deus. Como então, esses ateus, contra o testemunho da História, que é ciência, ousam acusar levianamente todas as religiões e fazer o mal à humanidade. Quem faz e fez o mal a humanidade foi o ateísmo de Hitler, de Stalin, de Fidel Castro, de Mao-Tsé Tung, e de tantos outros carrascos que assassinaram mais de cem milhões de pessoas. E o denominador comum do pensamento deles era o ateísmo!… Outro ponto que eles alegam é que não se pode provar a existência de Deus. O grande trunfo desses cientistas que infelizmente não provaram quã doce é o Senhor!“, é dizer que as investigações sobre a origem do Universo não deixam lugar para a criação divina. Ora, não se pode pretender que a ciência, limitada a observar fenômenos materiais, seja capaz e instrumento adequado para avaliar a existência de Deus. Deus está além da Ciência, pois é seu criador. Se provar que Deus existe é difícil, muito mais difícil ainda é provar o contrário. Os físicos modernos chegaram ao Big-bang; a grande explosão que deu origem ao universo. E eles perguntam: o que há atrás do muro de Planck? Isto é, o que havia antes da grande explosão dessa massa e energia imensurável e inexplicável que tudo gerou. O que havia antes dela? Quem a fez?Marcelo Gleiser, físico que escreve na “Folha de São Paulo”, e vive nos EUA e se diz ateu, nos dá um resposta infantil e escorregadia, que jamais resistirá a uma análise científica, diz ele: “Nada, segundo os cosmologistas. Essa questão é tão sem sentido quanto perguntar o que há ao norte do Pólo Norte. Isso porque, antes da singularidade inicial, não havia o tempo. O tempo é uma medida de transformação da matéria. Antes de esse processo existir, o tempo não existia.” Penso que para Gleiser, seria sem sentido perguntar se alguém tem pai ou mãe. Ora, como do “nada” pode surgir o Cosmos? Como do nada pode surgir uma massa de densidade inimaginável cuja explosão dá origem ao mundo criado? Na verdade os físicos ateus, que não tem resposta para essa pergunta crucial, não têm a humildade suficiente para aceitar a existência de um Ser Supremo que tudo criou. Outra acusação leviana que esses ateus fazem é de que a religião atrapalha a ciência. Diz o sociólogo Maurício Martins, professor de Filosofia da Ciência na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, no Rio de Janeiro que “Nas últimas duas décadas, os pesquisadores se ressentem de que a religião começou a atrapalhar o progresso da ciência.” É preciso lembrar-lhes que quem fundou as primeiras universidades do mundo, Bolonha, Oxford, Paris (Sorbone), e muitas outras, foi a Igreja Católica; e seus monges e sacerdotes foram grande cientistas. Quantas universidades católicas existem hoje no mundo todo? A Igreja nunca foi contra a ciência, ao contrário; ela é contra o mau uso da ciência quando esta não respeita a dignidade humana, como no caso do clone, da manipulação genética de embriões, bebê de proveta, etc. Neste caso, a religião não está contra a ciência, está em defesa da pessoa. É preciso lembrar que se há um grupo de cientistas ateus, há uma multidão de cientistas crentes. Recomendo ler o meu livro “Ciência e Fé em harmonia”, (Ed. Cléofas, Lorena, 2005).Ainda hoje esses cientistas ateus repetem um velho chavão que é dito deste o século XVII, e que nunca ocorreu: Eles acreditam que no futuro a ciência possa ofuscar a fé. Não é uma crença nova. O biólogo inglês Francis Crick, que descobriu a estrutura do DNA, parecia crer que o fim das religiões seria iminente. Tanto que, em 1963, ofereceu 100 libras na Universidade de Cambridge para um concurso de ensaios. O tema: “O que fazer com as capelas do campus?”. O biólogo morreu em 2004, a tempo de ver completado o seqüenciamento do genoma humano. Mas as capelas do campus continuam lá. Por outro lado, os cientistas religiosos preferem harmonizar a fé e a razão. O geneticista Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Genoma Humano, que coordenou o trabalho internacional para mapear o DNA humano, disse: “Acredito que a força criadora de Deus fez tudo existir em primeiro lugar. Por isso, estudar o mundo natural é uma oportunidade para observar a elegância e a complexidade da criação divina”. Francis Collins, o cientista que coordenou o Projeto Genoma, é um dos maiores defensores da fé.
Movimentos religiosos alternativos
A Presidenta do Grupo de Pesquisa Sócio-religiosa de Milão, Roberta Grillo, publicou na Itália o livro «Cuidado com o lobo. Movimentos religiosos alternativos e seitas satânicas» («Attenti al lupo. Movimenti religiosi alternativi & sette sataniche», Edizioni Ares).
Para a autora do livro não se entra em um movimento religioso alternativo ou em uma seita sem um motivo; o fator desencadeante é com freqüência «uma falta de acolhida de um familiar, um amigo ou um educador». Para ela o «desejo de felicidade» é o fator que impulsiona muitas pessoas a buscarem aquele «algo que falta». “Às vezes foi a curiosidade ou o desejo de adquirir instrumentos que dêem poder, êxito… Sempre o desejo de alcançar a felicidade.” (MILÃO, 1º de março de 2007 - ZENIT.org)
Em seu livro, divide os movimentos segundo a New Age, a fonte islâmica, gnóstico-teosófica, mágico-ocultista e do potencial humano, e dedica um amplo capítulo aos grupos de fonte cristã, tanto aos provenientes do protestantismo como aos do catolicismo (sedevacantistas e movimentos fundados em revelações particulares). A autora afirma que não se pode ser cristão e praticar o Reiki. “Trata-se de uma espécie de energia universal, possuída antigamente pelos profetas e por Jesus Cristo. A pena é que ao invés de referir-se a Jesus Cristo, à Bíblia e aos Evangelhos, estes «terapeutas» tiram seu poder da espiritualidade budista e da doutrina dos «chakras», conhecida pela yoga e praticada pelo hinduísmo e pelo budismo. Proposto como instrumento positivo, útil para o bem-estar pessoal e dos outros, o Reiki é na realidade uma disciplina secreta nos símbolos e nos conteúdos, associada a terapias de saúde que não têm nenhum fundamento científico como a cristaloterapia e a astrologia terapêutica, a aromaterapia e a cromoterapia; mas também a floroterapia e inclusive a dança-energia, a energia vibracional e a musicoterapia. Não pode dar-se, portanto, «dupla pertença», que inclua adesão a este sistema panteísta, gnóstico e ocultista, diametralmente oposto ao cristianismo.”
Muitos católicos têm se envolvido com religiões e seitas que nasceram do hinduísmo e do budismo, de cunho panteísta e holista, usando inclusive suas técnicas na oração sem um correto discernimento. Gostaria aqui de fazer a advertência do Pe. Henry Van Staclen, licenciado em Direito, Doutorado em Filosofia (Cambridge), perito do Concílio Vaticano II:
“Não se pode reduzir a Yoga, o Zen e, menos ainda a Meditação Transcendental a simples técnicas de relaxamento. Mesmo se no nível psicológico, nervoso e fisiológico se verifica uma certa eficácia, isto se dá, na maioria dos casos, ao preço de graves bloqueios espirituais”.
Penso que isto seja uma séria advertência de uma autoridade que conheceu de perto na Índia e no Oriente essas religiões. Na verdade o católico não precisa buscar nada fora da Igreja, pois o Concilio Vaticano II garantiu que:
“Somente através da Igreja Católica de Cristo, auxílio geral de salvação, pode ser atingida toda a plenitude dos meios de salvação. Cremos também que o Senhor confiou todos os bens do Novo Testamento ao único Colégio apostólico, a cuja testa está Pedro, a fim de constituir na terra um só corpo de Cristo, ao qual é necessário que se incorporem plenamente todos os que, de alguma forma, pertencem ao povo de Deus.” (Unitatis Redintegratio, 3)
Jesus avisou desde o início, no Sermão da Montanha: “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes” (Mt 7,15).São Pedro também falou aos primeiros cristãos do perigo das “seitas perniciosas” e falsos profetas: “Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar por palavras cheias de astúcia. Há muito tempo a condenação os ameaça, e a sua ruína não dorme” (2Pe 2,1-3).
Santo Agostinho nos ensina que os pregadores de heresias são dotados de inteligência privilegiada:“Não penses que as heresias são fruto de mentes obtusas. É necessário uma mente brilhante para conceber e gerar uma heresia. Quanto maior o brilho da mente, maiores as suas aberrações” .A história das heresias na vida da Igreja confirma o quanto S. Agostinho tem razão. Os hereges sempre foram “brilhantes” ao defender os seus erros, e por isso lograram grande êxito muitas vezes.As Cartas de S. Paulo, S. Pedro e S. João nos mostram o cuidado dos Apóstolos em preservar a “sã doutrina” (1 Tm 1,10). Paulo fala do perigo das “doutrinas estranhas” (1 Tm 1,3); dos “falsos doutores” (1 Tm 4, 1-2); e recomenda a S. Timóteo: “guarda o depósito” (1 Tm 6,20).São Paulo alertou a S. Timóteo, o seu bispo primeiro, de Éfeso, sobre essa ousadia dos “iluminados”:“O Espírito diz expressamente que nos tempos vindouros, alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos sedutores e doutrinas diabólicas“ (1 Tim 4,1). “Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Tendo nos ouvidos o desejo de ouvir novidades, escolherão para si, ao capricho de suas paixões, uma multidão de mestres. Afastarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas?”(2 Tim 4,2-4).
É o que vemos hoje: “falsos profetas”, “doutrinas diabólicas”, “multidão de mestres”, milhares de “fábulas”… povo enganado.
São João, já no início do cristianismo alertava para o perigo das falsas doutrinas e falsos profetas:
“Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não proclama Jesus esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo.” (1Jo 4,1-3)
Se você quiser aprofundar neste tema pode ler nosso livro FALSAS DOUTRINAS, veja me www.cleofas.com.br
Para a autora do livro não se entra em um movimento religioso alternativo ou em uma seita sem um motivo; o fator desencadeante é com freqüência «uma falta de acolhida de um familiar, um amigo ou um educador». Para ela o «desejo de felicidade» é o fator que impulsiona muitas pessoas a buscarem aquele «algo que falta». “Às vezes foi a curiosidade ou o desejo de adquirir instrumentos que dêem poder, êxito… Sempre o desejo de alcançar a felicidade.” (MILÃO, 1º de março de 2007 - ZENIT.org)
Em seu livro, divide os movimentos segundo a New Age, a fonte islâmica, gnóstico-teosófica, mágico-ocultista e do potencial humano, e dedica um amplo capítulo aos grupos de fonte cristã, tanto aos provenientes do protestantismo como aos do catolicismo (sedevacantistas e movimentos fundados em revelações particulares). A autora afirma que não se pode ser cristão e praticar o Reiki. “Trata-se de uma espécie de energia universal, possuída antigamente pelos profetas e por Jesus Cristo. A pena é que ao invés de referir-se a Jesus Cristo, à Bíblia e aos Evangelhos, estes «terapeutas» tiram seu poder da espiritualidade budista e da doutrina dos «chakras», conhecida pela yoga e praticada pelo hinduísmo e pelo budismo. Proposto como instrumento positivo, útil para o bem-estar pessoal e dos outros, o Reiki é na realidade uma disciplina secreta nos símbolos e nos conteúdos, associada a terapias de saúde que não têm nenhum fundamento científico como a cristaloterapia e a astrologia terapêutica, a aromaterapia e a cromoterapia; mas também a floroterapia e inclusive a dança-energia, a energia vibracional e a musicoterapia. Não pode dar-se, portanto, «dupla pertença», que inclua adesão a este sistema panteísta, gnóstico e ocultista, diametralmente oposto ao cristianismo.”
Muitos católicos têm se envolvido com religiões e seitas que nasceram do hinduísmo e do budismo, de cunho panteísta e holista, usando inclusive suas técnicas na oração sem um correto discernimento. Gostaria aqui de fazer a advertência do Pe. Henry Van Staclen, licenciado em Direito, Doutorado em Filosofia (Cambridge), perito do Concílio Vaticano II:
“Não se pode reduzir a Yoga, o Zen e, menos ainda a Meditação Transcendental a simples técnicas de relaxamento. Mesmo se no nível psicológico, nervoso e fisiológico se verifica uma certa eficácia, isto se dá, na maioria dos casos, ao preço de graves bloqueios espirituais”.
Penso que isto seja uma séria advertência de uma autoridade que conheceu de perto na Índia e no Oriente essas religiões. Na verdade o católico não precisa buscar nada fora da Igreja, pois o Concilio Vaticano II garantiu que:
“Somente através da Igreja Católica de Cristo, auxílio geral de salvação, pode ser atingida toda a plenitude dos meios de salvação. Cremos também que o Senhor confiou todos os bens do Novo Testamento ao único Colégio apostólico, a cuja testa está Pedro, a fim de constituir na terra um só corpo de Cristo, ao qual é necessário que se incorporem plenamente todos os que, de alguma forma, pertencem ao povo de Deus.” (Unitatis Redintegratio, 3)
Jesus avisou desde o início, no Sermão da Montanha: “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes” (Mt 7,15).São Pedro também falou aos primeiros cristãos do perigo das “seitas perniciosas” e falsos profetas: “Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar por palavras cheias de astúcia. Há muito tempo a condenação os ameaça, e a sua ruína não dorme” (2Pe 2,1-3).
Santo Agostinho nos ensina que os pregadores de heresias são dotados de inteligência privilegiada:“Não penses que as heresias são fruto de mentes obtusas. É necessário uma mente brilhante para conceber e gerar uma heresia. Quanto maior o brilho da mente, maiores as suas aberrações” .A história das heresias na vida da Igreja confirma o quanto S. Agostinho tem razão. Os hereges sempre foram “brilhantes” ao defender os seus erros, e por isso lograram grande êxito muitas vezes.As Cartas de S. Paulo, S. Pedro e S. João nos mostram o cuidado dos Apóstolos em preservar a “sã doutrina” (1 Tm 1,10). Paulo fala do perigo das “doutrinas estranhas” (1 Tm 1,3); dos “falsos doutores” (1 Tm 4, 1-2); e recomenda a S. Timóteo: “guarda o depósito” (1 Tm 6,20).São Paulo alertou a S. Timóteo, o seu bispo primeiro, de Éfeso, sobre essa ousadia dos “iluminados”:“O Espírito diz expressamente que nos tempos vindouros, alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos sedutores e doutrinas diabólicas“ (1 Tim 4,1). “Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Tendo nos ouvidos o desejo de ouvir novidades, escolherão para si, ao capricho de suas paixões, uma multidão de mestres. Afastarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas?”(2 Tim 4,2-4).
É o que vemos hoje: “falsos profetas”, “doutrinas diabólicas”, “multidão de mestres”, milhares de “fábulas”… povo enganado.
São João, já no início do cristianismo alertava para o perigo das falsas doutrinas e falsos profetas:
“Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não proclama Jesus esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo.” (1Jo 4,1-3)
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Laicismo e totalitarismo
O laicismo é a imposição de uma visão de mundo” O professor Wambert Gomes Di Lorenzo - mestre e doutorando em Direito pela UFRGS, professor da faculdade de Direito da PUC-RS, Secretário do Instituto Jacques Maritain e diretor da Escola do Bem Comum da Arquidiocese de Porto Alegre - explicou a diferença entre a laicidade que é uma invenção do próprio cristianismo, e o laicismo, que é um movimento autoritário que tende ao totalitarismo. *** Wambert Di Lorenzo: O que me enche de esperança na vinda do Santo Padre é uma esperança que não deve ser só minha, mas é uma esperança que deve ser comum a todas as confissões cristãs e todas as religiões. Nós estamos enfrentando hoje um novo tipo de autoritarismo que responde pelo nome de laicismo. Ele é um travesti de liberalismo, ele se traveste de democracia e de liberalismo, mas no fundo é um movimento autoritário que tende ao totalitarismo. Entenda-se que laicismo é diferente de laicidade. Na laicidade temos a separação entre a Igreja e o Estado e isto é invenção do cristianismo e não há em nenhuma outra religião do mundo esta hipótese enquanto cerne da própria mensagem. Foi o próprio Jesus Cristo que disse: “daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Então quem inventou a separação entre a Igreja e o Estado não foi o liberalismo, foi a Igreja, primeiramente. Segundo, a laicidade propõe um Estado neutro, a separação entre a Igreja e o Estado e uma neutralidade religiosa do Estado. O laicismo, ao contrário, é uma ideologia de ódio a toda manifestação religiosa, de rejeição a toda e qualquer igreja e, em particular, a Igreja Católica e pretende a vedação dos espaços públicos a manifestações de cunho religioso. Vejam como isso é grave: todas as estatísticas demonstram que mais de 98% da população brasileira pratica religião. Existem menos de 1% e desses 1% uma cúpula intelectual desses 1% que querem governar toda a sociedade, fechando o debate público para o argumento religioso, por isto estamos diante de um movimento totalitário. Uma surdez e uma rejeição a priori de todo argumento religioso. Vejam que numa democracia, sobretudo numa democracia laica, eu tenho que ouvir todo e qualquer argumento e refutá-lo, se ele é lógico ou ilógico, se ele é bom ou ruim. Numa democracia eu jamais posso recusar um argumento a priori, eu posso refutá-lo, mas não recusar a priori. Eu tenho que ouvir o argumento do outro. Isso significa que qualquer argumento vai ser desautorizado se a origem dele for religiosa e este grande sofisma que estamos vivendo hoje reflete em discussões fundamentais, como o aborto e as células tronco. O grande sofisma qual é? É trazer para o campo da religião, o debate. Tivemos uma audiência pública no STF que não foi um debate religioso, foi um debate científico. O que ocorre é que as confissões religiosas têm todo o direito e toda a legitimidade para entrar neste debate porque nós estamos numa democracia. É por isso que o laicismo não é plural, tampouco democrata, pois o laicismo é uma imposição de uma visão de mundo que se serve e se traveste de liberalismo e democracia e por isso tenta silenciar as vozes de toda e qualquer confissão religiosa. Esse encontro para mim é um momento de muita alegria em que nós vamos dizer: estamos no debate e não vamos nos calar. Sobretudo quando no Brasil nós estamos presenciando um momento pavoroso em que se pretende aprovar leis que permitam o extermínio de pessoas humanas, o assassinato de crianças pela própria mãe a partir do argumento do conforto porque a lei já prevê o aborto terapêutico e em caso de estupro, agora é o aborto em nome do conforto, o assassinato em nome do conforto e do pseudo bem-estar. Isso é muito grave e isso não é religioso, isso é ético, isso é moral.
Retorno ao catolicismo
Presidente da Sociedade Teológica Evangélica retorna à Igreja Católica
WASHINGTON DC, 08 Mai. 07 (ACI).- Francis Beckwith renunciou esta semana a seu cargo de Presidente da Sociedade Teológica Evangélica (ETS). O motivo: retornou à Igreja a Católica onde cresceu e que abandonou para abraçar o protestantismo.
Conforme sustenta em um blog, “não acredito que seja possível que a ETS conduza seu negócio e seus assuntos de forma que impulsione o Evangelho de Cristo, enquanto eu seja seu presidente. Por isso, desde em 5 de maio renuncio ao cargo de presidente da ETS e membro de seu comitê executivo”.
Beckwith relata que começou sua volta à fé em que cresceu, quando decidiu ler a alguns bispos e teólogos dos primeiros séculos da Igreja. “Em janeiro, por sugestão de um amigo querido, comecei a ler aos Padres da Igreja assim como alguns trabalhos mais sofisticados sobre a justificação em autores católicos. Comecei a convencer-me que a Igreja primitiva é mais católica que protestante e que a visão católica da justificação, corretamente compreendida, é bíblica e historicamente defensável”.
O perito estava disposto a retornar à Igreja Católica quando terminasse seu serviço como presidente em novembro do próximo ano. Entretanto, seu sobrinho de 16 anos pediu para ser seu padrinho de confirmação no próximo dia 13 de maio e por isso reconsiderou sua decisão.
Segundo Beckwith, “não podia dizer ‘não’ a meu sobrinho querido, que credita na renovação de sua fé em Cristo a nossas conversas e correspondência. Mas para fazê-lo, devo estar em total comunhão com a Igreja. Por isso, em 28 de abril passado recebi o sacramento da Confissão”.
Beckwith espera que sua partida permita à Sociedade Teológica Evangélica estudar a tradição da Igreja em uma forma que não seria possível com ele de presidente.
“Há uma conversa que deve realizar-se na ETS, uma conversa sobre a relação entre Evangelismo e o que se chama ‘Grande Tradição’, uma tradição da qual todos os cristãos podem traçar sua paternidade espiritual e eclesiástica. É uma conversação que eu recebo com agrado, e na espero ser participante. Mas minha presença na ETS como presidente, concluí, diminui as possibilidades de que ocorra esta conversa. Só exacerbaria a desunião entre cristãos que precisa ser remediada”.
O ex-presidente também enfatizou seu agradecimento a ETS. “Sua tenaz defesa e prática da ortodoxia cristã é que sustentou e nutriu a quem tenho encontrado nosso caminho de volta à Igreja de nossa juventude”.
WASHINGTON DC, 08 Mai. 07 (ACI).- Francis Beckwith renunciou esta semana a seu cargo de Presidente da Sociedade Teológica Evangélica (ETS). O motivo: retornou à Igreja a Católica onde cresceu e que abandonou para abraçar o protestantismo.
Conforme sustenta em um blog, “não acredito que seja possível que a ETS conduza seu negócio e seus assuntos de forma que impulsione o Evangelho de Cristo, enquanto eu seja seu presidente. Por isso, desde em 5 de maio renuncio ao cargo de presidente da ETS e membro de seu comitê executivo”.
Beckwith relata que começou sua volta à fé em que cresceu, quando decidiu ler a alguns bispos e teólogos dos primeiros séculos da Igreja. “Em janeiro, por sugestão de um amigo querido, comecei a ler aos Padres da Igreja assim como alguns trabalhos mais sofisticados sobre a justificação em autores católicos. Comecei a convencer-me que a Igreja primitiva é mais católica que protestante e que a visão católica da justificação, corretamente compreendida, é bíblica e historicamente defensável”.
O perito estava disposto a retornar à Igreja Católica quando terminasse seu serviço como presidente em novembro do próximo ano. Entretanto, seu sobrinho de 16 anos pediu para ser seu padrinho de confirmação no próximo dia 13 de maio e por isso reconsiderou sua decisão.
Segundo Beckwith, “não podia dizer ‘não’ a meu sobrinho querido, que credita na renovação de sua fé em Cristo a nossas conversas e correspondência. Mas para fazê-lo, devo estar em total comunhão com a Igreja. Por isso, em 28 de abril passado recebi o sacramento da Confissão”.
Beckwith espera que sua partida permita à Sociedade Teológica Evangélica estudar a tradição da Igreja em uma forma que não seria possível com ele de presidente.
“Há uma conversa que deve realizar-se na ETS, uma conversa sobre a relação entre Evangelismo e o que se chama ‘Grande Tradição’, uma tradição da qual todos os cristãos podem traçar sua paternidade espiritual e eclesiástica. É uma conversação que eu recebo com agrado, e na espero ser participante. Mas minha presença na ETS como presidente, concluí, diminui as possibilidades de que ocorra esta conversa. Só exacerbaria a desunião entre cristãos que precisa ser remediada”.
O ex-presidente também enfatizou seu agradecimento a ETS. “Sua tenaz defesa e prática da ortodoxia cristã é que sustentou e nutriu a quem tenho encontrado nosso caminho de volta à Igreja de nossa juventude”.
Você sabe o que é Objeção de Consciência?
A faculdade mais importante que Deus deu ao homem é a sua consciência. É o lugar sagrado onde a pessoa se encontra a sós com ela mesma, e na presença de Deus. E a consciência diz a cada homem, independente de raça, nação, país ou época: “evite o mal, faça o bem”. É o que a filosofia chama de “direito natural”.Por isso, nenhuma sociedade pode impor algo ao indivíduo se isto for contra a sua consciência; pois violentar a consciência de uma pessoa é a maior agressão que ela pode sofrer.
Algo muito especial está ocorrendo na Espanha. O governo socialista e ateu de José Zapatero, quer impor às escolas do país uma disciplina obrigatória chamada “Educação para a Cidadania”, que violenta a moral e a consciência dos alunos e pais católicos. Por causa disso um belo movimento está surgindo em defesa da objeção de consciência por aqueles que não aceitam essa imposição indevida do estado espanhol, que tem tentado implantar um doentio laicismo, que acima de tudo quer fazer desaparecer o catolicismo.
A fonte de notícias Acidigital.com, em 21 de julho 2007, noticiou que um Colégio inteiro exerce seu direito à objeção de consciência ante a disciplina “Educação para a Cidadania”. O Observatório para a Objeção de Consciência (OOC) informou que todos os pais e mães de família do Colégio “Mater Salvatoris” apresentaram no total 841 objeções de consciência diante da citada disciplina, porque atenta contra a formação moral de suas filhas.
Nesse sentido, o Presidente do Foro Espanhol da Família (FEF), Benigno Blanco, informou que em julho “seguiram chegando ao FEF notificações de novas objeções de consciência frente à disciplina. Já é este o movimento de objeção de consciência mais numeroso da história européia depois da objeção frente ao serviço militar”.
O Foro Espanhol da Família (FEF), entidade membro do OOC, aconselhou aos pais de família objetar de consciência a disciplina porque contém objetivos, matérias e critérios de avaliação que afetam a formação moral dos alunos e os introduz na “peculiar visão ética da pessoa e da afetividade” dos governantes do momento.
O FEF recordou que decidir como se deve educar os filhos é um direito que só os pais possuem e que está garantido pela Constituição.
Do mesmo modo, afirmou que a objeção de consciência é um direito constitucional que permite defender os filhos “da contaminação ideológica por parte de estranhos”; já que com isso “um cidadão pode negar-se legitimamente a cumprir um mandato ou norma jurídica quando entra em conflito com as próprias convicções de consciência”. Explicou que não é uma desobediência à Lei, mas sim o exercício de um direito.
Por outro lado, em sua habitual carta semanal, o Arcebispo de Valência, Dom Agustín García-Gasco, destacou, em 20-07-2007, que “os que sustentam o absolutismo do Estado na educação se situam fora do contexto constitucional e contra os direitos fundamentais”.
Quem desejar se inteirar melhor sobre a Objeção de Consciência, pode ver o site: www.objetamos.com
Algo muito especial está ocorrendo na Espanha. O governo socialista e ateu de José Zapatero, quer impor às escolas do país uma disciplina obrigatória chamada “Educação para a Cidadania”, que violenta a moral e a consciência dos alunos e pais católicos. Por causa disso um belo movimento está surgindo em defesa da objeção de consciência por aqueles que não aceitam essa imposição indevida do estado espanhol, que tem tentado implantar um doentio laicismo, que acima de tudo quer fazer desaparecer o catolicismo.
A fonte de notícias Acidigital.com, em 21 de julho 2007, noticiou que um Colégio inteiro exerce seu direito à objeção de consciência ante a disciplina “Educação para a Cidadania”. O Observatório para a Objeção de Consciência (OOC) informou que todos os pais e mães de família do Colégio “Mater Salvatoris” apresentaram no total 841 objeções de consciência diante da citada disciplina, porque atenta contra a formação moral de suas filhas.
Nesse sentido, o Presidente do Foro Espanhol da Família (FEF), Benigno Blanco, informou que em julho “seguiram chegando ao FEF notificações de novas objeções de consciência frente à disciplina. Já é este o movimento de objeção de consciência mais numeroso da história européia depois da objeção frente ao serviço militar”.
O Foro Espanhol da Família (FEF), entidade membro do OOC, aconselhou aos pais de família objetar de consciência a disciplina porque contém objetivos, matérias e critérios de avaliação que afetam a formação moral dos alunos e os introduz na “peculiar visão ética da pessoa e da afetividade” dos governantes do momento.
O FEF recordou que decidir como se deve educar os filhos é um direito que só os pais possuem e que está garantido pela Constituição.
Do mesmo modo, afirmou que a objeção de consciência é um direito constitucional que permite defender os filhos “da contaminação ideológica por parte de estranhos”; já que com isso “um cidadão pode negar-se legitimamente a cumprir um mandato ou norma jurídica quando entra em conflito com as próprias convicções de consciência”. Explicou que não é uma desobediência à Lei, mas sim o exercício de um direito.
Por outro lado, em sua habitual carta semanal, o Arcebispo de Valência, Dom Agustín García-Gasco, destacou, em 20-07-2007, que “os que sustentam o absolutismo do Estado na educação se situam fora do contexto constitucional e contra os direitos fundamentais”.
Quem desejar se inteirar melhor sobre a Objeção de Consciência, pode ver o site: www.objetamos.com
A DEGENERAÇÃO DOS VALORES MORAIS E ÉTICOS
Cardeal D. Eugenio de Araújo SalesArcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro24/08/2007
Há crises que surgem inesperadamente mas são passageiras. Outras, não. São duradouras e os males, profundos. As primeiras são superficiais. Entretanto, quando irrompem em conseqüência da fragilidade do corpo social, afetam os alicerces da sociedade.
O Brasil está imerso – e profundamente – em algumas situações que atingem o âmago da nacionalidade. Uma afeta a preservação da intocabilidade da vida e gera uma variedade de crimes contra a lei de Deus. Pode ser sintetizada no aborto e nas atitudes congêneres. A seguir a corrupção administrativa e assemelhados. Ambas surgem da ausência de Deus, do repúdio à Lei divina. Em outras palavras, o homem se coloca no lugar de Deus, com as conseqüências daí decorrentes.
No Brasil, ao lado de passos agigantados na direção do progresso, tomado como um todo, emergem notícias inquietantes que revelam a fragilidade por falta de alicerces éticos. A crise aguda foi precedida pelo anúncio de medidas que, se aprovadas, subtrairiam ao plano divino o arbítrio do homem: dentre estas, encontramos a descriminalização do aborto e a antecipação da morte do ancião, a união de homossexuais, entre outras. O ser humano tenta ocupar indevidamente o lugar do Criador.
O terremoto a que estamos assistindo no campo da política e a má utilização do dinheiro das entidades governamentais são conseqüências da degeneração do tecido formado pelos valores morais e éticos. Recordemos a enxurrada de fatos reveladores de uma grave situação nacional.
Em 1979, em Puebla, na 4ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, o documento conclusivo (nº 507-509) já advertia para os males que hoje afligem a sociedade e, de modo particular, o Brasil. Em nossos países “se experimenta o peso da crise institucional e econômica e claros sintomas de corrupção e violência. Esta é gerada e fomentada tanto pelas injustiças (…) como pelas ideologias que se convertem em meio para a conquista do poder”.
Na publicação do “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”, obra tão recente como importante, elaborada pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, lemos: “A relação entre moral e economia é necessária e intrínseca: atividade econômica e comportamento moral se compenetram intimamente”(nº 331). E no nº 332: “A dimensão moral da economia (…) constitui um fator de eficiência social da própria economia”.
No atual momento da vida brasileira é lamentável constatar-se tanto a corrupção administrativa como a falta de pudor na vida social e privada. Ambas formam um círculo vicioso. A malversação do dinheiro público destrói o próprio sentido da moral e, em conseqüência, atinge as estruturas familiares e a consciência do indivíduo. O respeito que se deve à Nação pede o castigo dos culpados. Ao lado da crise política assistimos ao avanço do roubo, da violência, da pornografia e ao desrespeito às crenças religiosas. Uma eficiente e maléfica atuação junto à opinião pública inibe os poderes constituídos, que já não ousam vetar as ofensas à Moral no campo dos espetáculos, das novelas e filmes. Para isso, confundem habilmente, através de um falso conceito de arte, a liberdade de manifestar as próprias convicções com o vilipêndio de valores éticos. Isto faz lembrar a insensatez de alguém, infectado por grave moléstia de fácil contágio, que exigisse – em nome de seu direito de ir e vir – misturar-se à multidão, apesar da certeza da transmissão da doença. Assim, pessoas deformadas no seu caráter, a quem apraz instilar seu mal, levam ao ridículo orientações, pessoas e objetos aceitos por outros membros da coletividade como sagrados e merecedores de respeito. Há os que ofendem até o Senhor Jesus, em livros ou programas televisivos.
Na homilia pronunciada na missa “Pro eligendo Romano Pontifici”, imediatamente antes de ser dado início ao último Conclave, o então Cardeal Decano do Colégio dos Cardeais, Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI, abordou um assunto de grande importância, não só para o mundo, mas, de modo particular, para a nossa situação atual no Brasil. Na ocasião, afirmou:
“Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento (…). A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas, lançada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao coletivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante. Cada dia surgem novas seitas e realiza-se quanto diz São Paulo acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4,14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar “aqui e além por qualquer vento de doutrina”, aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades”.
E acrescentou: “Ao contrário, nós temos outra medida, o Filho de Deus, o verdadeiro homem. É Ele a medida do verdadeiro humanismo. “Adulta” não é uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente radicada na amizade com Cristo. É esta amizade que nos abre a tudo o que é bom e nos dá o critério para discernir entre verdadeiro e falso, entre engano e verdade. Devemos amadurecer esta fé e assim guiar o rebanho de Cristo. E é esta fé, só esta fé que gera unidade e se realiza na caridade”.
Na homilia da missa do início de seu ministério de Pastor supremo da Igreja, no dia 24 de abril de 2005, o Santo Padre Bento XVI disse o seguinte: “Quero retornar a 22 de outubro de 1978, quando o Papa João Paulo II iniciou o seu ministério, aqui na Praça de São Pedro. Ainda e continuamente ressoam em meus ouvidos suas palavras de então: ‘Não temais! Abri, de par em par, as portas para Cristo!’”
Tanto o que estamos vendo nestes dias, em matéria de suborno e congêneres, como as notícias sobre supressão da vida do nascituro, o abortamento, nascem e se fortificam na mesma fonte. A raiz de um e outro é o relativismo. Que Deus ilumine os homens que nos governam e sejam fiéis ao rumo dado por São Paulo aos Efésios (4,14-16). Para combater o mal, faz-se mister uma vida cristã autêntica. A figura de Jesus Cristo nos fortalece nesses momentos de crise. O cristão deve alimentar a esperança.
Há crises que surgem inesperadamente mas são passageiras. Outras, não. São duradouras e os males, profundos. As primeiras são superficiais. Entretanto, quando irrompem em conseqüência da fragilidade do corpo social, afetam os alicerces da sociedade.
O Brasil está imerso – e profundamente – em algumas situações que atingem o âmago da nacionalidade. Uma afeta a preservação da intocabilidade da vida e gera uma variedade de crimes contra a lei de Deus. Pode ser sintetizada no aborto e nas atitudes congêneres. A seguir a corrupção administrativa e assemelhados. Ambas surgem da ausência de Deus, do repúdio à Lei divina. Em outras palavras, o homem se coloca no lugar de Deus, com as conseqüências daí decorrentes.
No Brasil, ao lado de passos agigantados na direção do progresso, tomado como um todo, emergem notícias inquietantes que revelam a fragilidade por falta de alicerces éticos. A crise aguda foi precedida pelo anúncio de medidas que, se aprovadas, subtrairiam ao plano divino o arbítrio do homem: dentre estas, encontramos a descriminalização do aborto e a antecipação da morte do ancião, a união de homossexuais, entre outras. O ser humano tenta ocupar indevidamente o lugar do Criador.
O terremoto a que estamos assistindo no campo da política e a má utilização do dinheiro das entidades governamentais são conseqüências da degeneração do tecido formado pelos valores morais e éticos. Recordemos a enxurrada de fatos reveladores de uma grave situação nacional.
Em 1979, em Puebla, na 4ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, o documento conclusivo (nº 507-509) já advertia para os males que hoje afligem a sociedade e, de modo particular, o Brasil. Em nossos países “se experimenta o peso da crise institucional e econômica e claros sintomas de corrupção e violência. Esta é gerada e fomentada tanto pelas injustiças (…) como pelas ideologias que se convertem em meio para a conquista do poder”.
Na publicação do “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”, obra tão recente como importante, elaborada pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, lemos: “A relação entre moral e economia é necessária e intrínseca: atividade econômica e comportamento moral se compenetram intimamente”(nº 331). E no nº 332: “A dimensão moral da economia (…) constitui um fator de eficiência social da própria economia”.
No atual momento da vida brasileira é lamentável constatar-se tanto a corrupção administrativa como a falta de pudor na vida social e privada. Ambas formam um círculo vicioso. A malversação do dinheiro público destrói o próprio sentido da moral e, em conseqüência, atinge as estruturas familiares e a consciência do indivíduo. O respeito que se deve à Nação pede o castigo dos culpados. Ao lado da crise política assistimos ao avanço do roubo, da violência, da pornografia e ao desrespeito às crenças religiosas. Uma eficiente e maléfica atuação junto à opinião pública inibe os poderes constituídos, que já não ousam vetar as ofensas à Moral no campo dos espetáculos, das novelas e filmes. Para isso, confundem habilmente, através de um falso conceito de arte, a liberdade de manifestar as próprias convicções com o vilipêndio de valores éticos. Isto faz lembrar a insensatez de alguém, infectado por grave moléstia de fácil contágio, que exigisse – em nome de seu direito de ir e vir – misturar-se à multidão, apesar da certeza da transmissão da doença. Assim, pessoas deformadas no seu caráter, a quem apraz instilar seu mal, levam ao ridículo orientações, pessoas e objetos aceitos por outros membros da coletividade como sagrados e merecedores de respeito. Há os que ofendem até o Senhor Jesus, em livros ou programas televisivos.
Na homilia pronunciada na missa “Pro eligendo Romano Pontifici”, imediatamente antes de ser dado início ao último Conclave, o então Cardeal Decano do Colégio dos Cardeais, Joseph Ratzinger, hoje Bento XVI, abordou um assunto de grande importância, não só para o mundo, mas, de modo particular, para a nossa situação atual no Brasil. Na ocasião, afirmou:
“Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento (…). A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas, lançada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao coletivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante. Cada dia surgem novas seitas e realiza-se quanto diz São Paulo acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro (cf. Ef 4,14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar “aqui e além por qualquer vento de doutrina”, aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades”.
E acrescentou: “Ao contrário, nós temos outra medida, o Filho de Deus, o verdadeiro homem. É Ele a medida do verdadeiro humanismo. “Adulta” não é uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente radicada na amizade com Cristo. É esta amizade que nos abre a tudo o que é bom e nos dá o critério para discernir entre verdadeiro e falso, entre engano e verdade. Devemos amadurecer esta fé e assim guiar o rebanho de Cristo. E é esta fé, só esta fé que gera unidade e se realiza na caridade”.
Na homilia da missa do início de seu ministério de Pastor supremo da Igreja, no dia 24 de abril de 2005, o Santo Padre Bento XVI disse o seguinte: “Quero retornar a 22 de outubro de 1978, quando o Papa João Paulo II iniciou o seu ministério, aqui na Praça de São Pedro. Ainda e continuamente ressoam em meus ouvidos suas palavras de então: ‘Não temais! Abri, de par em par, as portas para Cristo!’”
Tanto o que estamos vendo nestes dias, em matéria de suborno e congêneres, como as notícias sobre supressão da vida do nascituro, o abortamento, nascem e se fortificam na mesma fonte. A raiz de um e outro é o relativismo. Que Deus ilumine os homens que nos governam e sejam fiéis ao rumo dado por São Paulo aos Efésios (4,14-16). Para combater o mal, faz-se mister uma vida cristã autêntica. A figura de Jesus Cristo nos fortalece nesses momentos de crise. O cristão deve alimentar a esperança.
A Igreja aceita a pena de morte?
Alguns leitores têm nos perguntado como interpretar o §2266 do Catecismo da Igreja que fala sobre a pena de morte e afirma: “… o ensinamento tradicional da Igreja reconheceu como fundamentado o direito e o dever da legítima autoridade pública de infligir penas proporcionadas à gravidade dos delitos, sem excluir, em caso de extrema gravidade, a pena de morte. ”
A Igreja, na prática, é contra a pena de morte; tanto assim que a cada caso de condenação nos EUA, o Papa pede clemência; aliás, tem pouco adiantado.
Como S. Tomás de Aquino a aceitava, em casos raros, na Idade Média, a Igreja não fechou a porta definitivamente para a possibilidade dela ser usada em “um caso de extrema gravidade”. Esse caso de “extrema gravidade” seria por exemplo comparado à legítima defesa, onde a sociedade não tivesse como se livrar do perigo de um assassino, de forma alguma, nem pela prisão perpétua. Na prática, isto parece não mais existir; especialmente por causa dos presídios de segurança máxima; o que faz a Igreja ser, na prática contra a pena de morte.
Uma prova clara disso, foi que quando da pena de morte aplicada a Sadam Hussein, o Vaticano foi contra a sua execução. A fonte de noticias www.acidigital noticiou o seguinte:
O Vaticano reitera rejeição à pena de morte após execução de Saddam Hussein
VATICANO, 2006-12-30 (ACI).- A Santa Sé reagiu ao anúncio da aplicação da pena capital ao ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, mediante um comunicado do Diretor da Sala de Imprensa, Pe. Federico Lombardi, S.J., quem reiterou a posição da Igreja contra a pena de morte e auspiciou o início de um tempo de reconciliação e paz para o país.
“Uma execução capital é sempre uma notícia trágica, motivo de tristeza, inclusive quando este foi culpado de graves delitos”, diz a nota do Pe. Lombardi.“A posição da Igreja católica, contrária à pena de morte, foi várias vezes reiterada”.
“A morte do culpado não é o caminho para reconstruir a Justiça e reconciliar à sociedade. Existe, pelo contrário, o perigo de que isto alimente o desejo de vingança e se semeie nova violência”, adiciona.O exposto acima deixa claro que a Igreja Católica é contra a pena de morte.
Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br
A Igreja, na prática, é contra a pena de morte; tanto assim que a cada caso de condenação nos EUA, o Papa pede clemência; aliás, tem pouco adiantado.
Como S. Tomás de Aquino a aceitava, em casos raros, na Idade Média, a Igreja não fechou a porta definitivamente para a possibilidade dela ser usada em “um caso de extrema gravidade”. Esse caso de “extrema gravidade” seria por exemplo comparado à legítima defesa, onde a sociedade não tivesse como se livrar do perigo de um assassino, de forma alguma, nem pela prisão perpétua. Na prática, isto parece não mais existir; especialmente por causa dos presídios de segurança máxima; o que faz a Igreja ser, na prática contra a pena de morte.
Uma prova clara disso, foi que quando da pena de morte aplicada a Sadam Hussein, o Vaticano foi contra a sua execução. A fonte de noticias www.acidigital noticiou o seguinte:
O Vaticano reitera rejeição à pena de morte após execução de Saddam Hussein
VATICANO, 2006-12-30 (ACI).- A Santa Sé reagiu ao anúncio da aplicação da pena capital ao ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, mediante um comunicado do Diretor da Sala de Imprensa, Pe. Federico Lombardi, S.J., quem reiterou a posição da Igreja contra a pena de morte e auspiciou o início de um tempo de reconciliação e paz para o país.
“Uma execução capital é sempre uma notícia trágica, motivo de tristeza, inclusive quando este foi culpado de graves delitos”, diz a nota do Pe. Lombardi.“A posição da Igreja católica, contrária à pena de morte, foi várias vezes reiterada”.
“A morte do culpado não é o caminho para reconstruir a Justiça e reconciliar à sociedade. Existe, pelo contrário, o perigo de que isto alimente o desejo de vingança e se semeie nova violência”, adiciona.O exposto acima deixa claro que a Igreja Católica é contra a pena de morte.
Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br
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